segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

TESE AMOROSA I

Sítio São Geraldo, 22/12/2013, às 00h19min


A pele é igual em todos os corpos.
Descobri isso apagando a luz.
O amor não é igual em todos os corpos.
Descobri isso acendendo os olhos.

Vale a pena correr o risco da prolaxia em prol da liberdade.
Agora sou soberano amante, pleno em meu amor.
Tudo, exatamente tudo, et all
Miro, vejo e posso dizer
Que amo como se fosse morrer no próximo instante.

Agora não me cabe mais o reino do proibido,
porque o proibido, convencionei, é a infelicidade
e esta não me interessa mais.
Selo o compromisso de amar e ser amado
Independente do julgamento da razão:
Se dará certo ou não, se serei feliz ou não...
Porque me entrego ao amor não como quem escolhe,
mas como quem é escolhido e não tem outra opção
a não ser pensar noite e dia naquilo que me consome o coração.

Quando penso no amor, sempre pergunto:
"Quem irá nos proteger?"
Porque sei que precisaremos de proteção.
Tantos olhos curiosos, ambiciosos, invejosos,
Ainda não sabem que vivo em um palácio
Sentindo o cheiro de jasmim com todos os pedidos atendidos
Como se eu tivesse uma lâmpada mágica.
Basta desejar amor e voilà!


domingo, 1 de dezembro de 2013

Mire e Veja

Tudo que vejo
Tudo certo na mira
Tudo que miro
Tudo que observo
Tudo que atiro
Antes eu miro
Tudo respiro
Eu piro
Eu vejo
Eu piro
Eu vejo
Eu miro
Miro e vejo
Às margens do Tejo
Até o Tibre
Eu vejo e miro
A cara do cara
Eu atiro
Eu piro
Mas antes
Eu miro
Infantes
Da infantaria os tiros
Eu miro
Os fogos do ano novo ao longe
Eu vejo
O gozo na minha cama
Eu tiro
Pro seu lado
Eu viro
Eu prefiro
Eu vejo
Eu miro


Je vois le Tejo
Et leTibre.
Il est l'amour dans l'histoire?
L'amour dure trente minutes.
Vous et moi: ça est superbe!  
Ça va!


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

RESPOSTA SEM PERGUNTA



[Dhu Rocha, Casa dos Bárbaros, Ouro Preto, MG, 29/11/13, às 06h09min]



A chuva vem anunciando sua chegada
Depois de inquestionável nublamento.
Cada pingo vem como palavra molhada,
Como letrados exigindo esclarecimento.

Passamos por dias quentes,
Brisas de sonhos, uma quimera
Corpos e juras efervescentes
Bonitezas e promessas de espera,

Mas o fato é que o amargo de fato
É o mais puro desdobramento do doce.
E nossa fome sempre será mais que um ato
De entrega do que quer que fosse.

Era pura poesia de nós
Nós pronome, nós amarrados
De cordas em quartos a sós
Formando rizomas interligados

Que jamais serão destruídos
Mas não estão a salvo do fim
Sufocados pelos ruídos
Das suas inquietações por mim.

Perdoe-me se prefiro escrever
Ao conversar com quem me escreve.
Percebo tudo e posso entender
O que faz com que seu coração se entreve.

Lamento profundamente a situação.
Entretanto, não tenho certeza da luz
Que habita sua condição
De propensão ao sofrimento da Cruz.

Parece-me obscura sua vida.
O que há de se fazer?
Agora estás doce, e segues sua lida
E noutro momento, pareces morrer.

Sofres tanto, sem necessidade!
Tenha compaixão e entenda meu lado:
Nem eu sei o que quero de verdade,
Como podeis me julgar errado?

Não acreditas no que acredito,
Senão ao menos poderia lhe dar conselhos.
Não quero ser a solução do conflito
Quero apenas mil beijos vermelhos

De mil bocas diferentes
Se minha energia vibrar
Em frequências emergentes
Pelos caminhos que vou caminhar.

Não pediria a distância,
Mas ela irremediavelmente se impôs.
E meu desejo de errância
É a música que meu coração compôs.

É valsa pra solar bem juntinho,
Com propensão de alegria.
Disse o poeta que é bom ser sozinho.
Sozinho, mas em boa companhia.


P.S.: Te amo muito. Amo tanto quanto amo minha solidão. Tanto quanto amo a Lua. Tanto quanto amo Aang e Korra. Tanto quanto amo Deus e o Mundo. Tanto quanto um canceriano possa amar.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

DECISÕES

Sois beleza,
potencialidade e capacidade de chegar.
Diante de tudo que me atravessa,
tenho o avesso dos tecidos de meu corpo para costurar
e formar a peça nova - que é minha.
Estampado.
Mas que não convém.
Estamparia muito alegre afronta!
Pro diabo vocês!
Afrontarei pois. Afrontar rei e bois
É perigoso. Ambos podem nos furar com pontas
(Da coroa ou do chifre, que dão no mesmo sentido.)
Não convém desviar o que digo,
Pois desviados já estão
E desviados ficarão
Até o último grão de poeira voltar a descansar
No solo peculiar que estava acostumado a pisar
De onde bato a sola do sapato com pesar
E deixo ir embora as horas e as senhoras
Que tanto me fizeram gozar a vida
E souberam com maestria encontrar a subida
Pro além terra atrás da serra
Em outro estado de consciência.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

REBULIÇO

Menino do auê
me deu do padê
E pegou pra valer
Nos conformes do Exu

Tirou do eixo

Faz cair o queixo
Fez virar a noite
Fez tentar a sorte
Fez Oxumaré
Fez Logun-Edé
um dois de paus.
Fez Oxumaré
Fez Logun-Edé
um dois de paus.

Entre uma fungada de nariz
uma gota de sobriedade
mostrou o paranauê do amor
tão capaz de aprazer
ao mais refinado
gosto de novidade.

Tentou o inédito
no amor:
lambuzou-se de muito
refestelou-se
de querer todo dia.
Mais que quisesse
não podia.
Era no chiado baixo
e só.

Se arrebite bandeirante!
Coloque consciência
nesses dois.
Onde já se viu
café com leite
em pleno sexo XXI?

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O CAÇADOR E O SONO: REVELAÇÃO DO SEGREDO DA VIDA

"_Acalme-se sono... Não vou lhe fazer mal algum..."
Ele foi andando na direção do sono com passos lentos, sem movimentos bruscos...
E não é que mesmo assim o sono fugiu em disparada para o mato!

Inúmeras tentativas foram feitas, mas o sono era muito arisco.
Ele colocou música suave, cantou Om Mani Padme Hum,
Assistiu dois filmes sulamericanos - um argentino e outro peruano - ,
Preparou uma armadilha com a comida preferida do sono
(Dessa vez, um estampido fez parecer que ele havia conseguido. Que nada! Era uma ansiedade selvagem que havia entrado na armadilha e comido toda a comida do sono.).
"_Pronto ansiedade, pode sair..."
E saiu? Saiu nada! A ansiedade antes selvagem, se afeiçoou imediatamente ao caçador. Nunca mais desgrudou do seu pé.
E pior, sempre que o sono se aproximava da armadilha, a ansiedade começava a berrar, gritar, correr de um lado para outro. Desesperado, o sono fugia para o mato de novo.

"_Desse jeito vai amanhecer e eu não dormi!" Lamentou o caçador.
"_Ou pior; posso dormir às seis da manhã e só conseguir acordar às quatro da tarde!"
"_Não! Dormir o dia todo pra ficar sem sono a noite toda? Não! De jeito nenhum!"

Sem nenhuma outra ideia e com a ansiedade agora mastigando seus sapatos, não havia outra saída. Resolveu não dormir.
A única maneira de não acordar tarde era não dormir, ora veja!
"_Basta de trocar a noite pelo dia! Quero ver os sorrisos e o pulso da vida que só acontecem durante o dia! Chega de caso com a noite!"
E a grande resolução: "_Se não for pra dormir à noite, então não vou dormir nunca mais!"

O caçador tinha certeza de que o sono ia rondá-lo o dia todo. Nem mesmo a ansiedade ex-selvagem poderia afugentá-lo em todos os momentos. Agora a batalha era outra. Deveria manter o sono longe até a noite.
"_Como vencer um dia inteiro de compromissos com um sono insistente e inconveniente roubando sua atenção?"
Naquele dia, nada foi dito ou feito. No dia seguinte, também não. A semana seguinte, idem. O mês seguinte, sem novidades. Seis meses... Um ano... Cinco... Cem.... Mil...
"_Mil?"
"_É. Mil. E cale a boca, ansiedade. Quem está contando a história sou eu! Se não posso dormir, ao menos posso ficar mil anos sem dormir, se me der na telha."
E depois de mil anos, chorando, o sono parou de persegui-lo durante o dia. Prometeu acompanhá-lo só durante a noite. Seis horas, oito no máximo por noite. Prometeu nunca mais fugir do caçador. Ia entregar-se de bom grado.
Os dois abraçaram-se, e um clarão no céu foi visto num raio de 1200 quilômetros. A voz que contava coisas a todos nós contou-nos o último grande segredo da vida e de todo o seu ciclo. Ela disse....
...
("_Ei! Acorde! Acorde! Você precisa terminar a história! O que foi que a voz disse? Diga!")



Interrompemos esta história porque o autor caiu no sono.
Pedimos desculpas aos leitores. Tentaremos contato com o autor via mensagem astral. Se conseguirmos entrar no sonho dele, tentaremos trazê-lo de volta para que continue seu ofício.
Do contrário, acompanhem nossa programação emergencial especial:

"O Terço Bizantino" 
com Padre Marcelo Rossi. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

RIO

Tudo Harmonicamente Cantava...

Por pura plenitude mineira,
É muita gentileza sua tanto carinho.
Quando a gente conhece amigos novos
ou reencontra antigos,
não parece que eles estiveram aqui o tempo todo?
 
Estes lampejos de felicidade....
As coisas mais imprevisíveis
São tão propositais, às vezes.

Uma fogueira que queima a semana toda.Seria possível um Rio tão feliz assim?
Era justamente para dar vontade de mergulhar no Rio
que ele era tão assim.

O Rio tem coisas apaixonantes!
Suas águas são tão diferentes, confusas,
desconexas de álcool
e ao mesmo tempo,
são exatamente o que a gente precisa.
A dose de felicidade
não tem medida certa;
É quanto-baste.

Longa Saudade Deles
derrete na parede,
me transforma num moinho
com pás de tranças em giro
perante O Cavaleiro da Triste Figura,
perante todos!

Que apertem as mãos
a Villa Rica de Nossa Senhora do Pillar de Ouro Preto
e a Cidade Imperial de Petrópolis.
"Altiora Semper Petens"


terça-feira, 16 de julho de 2013

MIZUAGE 01

Fiz voltar pra dentro de mim 
a minha semente criadora.
Se minha dor
explodir o tampo,
ao menos terei um vaso 
onde abrigar flores.

domingo, 23 de junho de 2013

DESESPERO AURINEGRO

A vista da varanda me conta da esquerda para a direita
Santa Efigênia, Capela das Dores, o ipê com flores roxas de Marília,
Os eucaliptos que velam a universidade,
A Capela de Aparecida, a Mercês de Baixo, a Conceição,
a São Francisco de Assis, a Rua Esquerda, o Museu da Inconfidência,
a pontinha da torre do Carmo, Tiradentes de pé, a Escola de Minas,
e tudo que vejo é o  cruel esquecimento dos cemitérios
e a preguiça inerte barroca.
As nuvens não deixam ver o Pico do Itacolomi,
mas a paisagem é desesperadoramente bela.

Ouro Preto é sanguinolenta,
cheira a álcool e nos prende com beijos molhados.
Com uma língua voraz nos saboreia compulsivamente.
O sino do museu bate a meia hora.
Os chafarizes que secaram invejam os que ainda vertem água
contaminada de loucura pelos mineradores de muitos séculos.

A cidade abocanha a tudo e a todos
e insiste, e quer mais, e bebe nossos corpos
 com uma sede lasciva, tranquila para turista ver,
uma sede voraz como que precisasse da seiva
do corpo de outro para sobreviver
tal qual vampira desesperada.

E desesperado me entrego
cheio de não-quereres, dizendo que não posso, não quero,
mas os paralelepípedos que disfarçam as ladeiras
[que contemplam e exalam uma burrice e uma bestialidade tri-centenárias]
me reviram do avesso. Me fazem querer parar e continuar,
sem saber o que fazer em seguida.
O inverno é tão frio, mas acabo ensopado de suor.
O corpo escorre líquido, porque as ladeiras precisam beber
as escatologias dos que aqui passam.

Não há orifício que não se imole diante de tamanha violência poética.
Todos oferecem suas preciosidades podres ao barroco.
No entanto, um líquido ainda tem a sorte de transitar entre os dois mundos
- o do terror e o do êxtase -
e este líquido são as lágrimas.
As que me foram arrancadas ao primeiro contato com a monstruosidade do Pilar
que surgiu à minha frente depois de descer as escadinhas de uma ladeira.
Lágrimas me foram roubadas da vertiginosa vista da São Francisco de Paula,
do mirante do Morro do Cruzeiro, do mirante do São Sebastião,
o trem levou consigo minhas lágrimas emocionadas da primeira vez.
Lágrimas soluçantes na escadaria da Santa Efigênia diante da grandiosa Paixão
do Cristo;
Lágrimas incontroláveis e sufocantes diante de tanta beleza vista na Casa da Ópera.
Tudo pode ser tão belo que dá vontade de morrer com um grito, e se repartir em vários pedaços
explodir mesmo, ou ser esquartejado e exposto como Tiradentes o fora.
Talvez seja esta a intenção da Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto.

Se eu ainda não me juntei à Sinhá Olímpia, à Ninica, ao Angu e a tantos outros,
é porque
a Adélia, a Elisa e o Rubem,
o Drummond, o Pessoa e o Leminski,
o Quintana, o Bandeira e o Rosa,
a Hilda, a Clarice e o Caio,
o Bashô
e toda as falanges das quais eles fazem parte,
me ensinaram uma forma de combater o bom combate,
detonando as poesias atômicas que arrasam com tudo.
E principalmente, aquele que veio muito antes de mim,
e que lutou e morreu e pisou e amou inconfidente,
Tomás, confidencial Dirceu.
Obrigado por me aliviar.

[Rubrica: terminar a leitura com um suspiro aliviado]

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Oração Mental

Quando me vem esse aperto no peito
e eu penso que não vou dar conta,
eu me lembro de todos os conselhos
que distribuí...
Uma certeza de que é tudo meu,
essa tristeza, essa falta de ânimo,
essa falta de ar,
me assombra e me esclarece.

Hoje eu sonhei com um amigo
que não vejo há muito tempo.
Uma saudade mansinha...
Daquelas que não doem
nem incomodam,
só alegram a gente
por causa de uma coisa boa que vivemos
há uns sete anos atrás.

Quando não se espera nada da vida,
qualquer coisa que acontecer
já é uma grande coisa.
Eu escrevi isso há bastante tempo,
quando tudo estava bem,
pra ouvir isso dito pela boca
de um ator.
Ele nunca disse, mas está escrito.

Os poemas têm o direito de serem assim, tão sem graça?

Porque talvez seja este o problema:
esperar muito da vida, quando na verdade,
não precisamos de nada além de uma comida gostosa,
uma água fresca e uma cama macia.


domingo, 9 de junho de 2013

Feito Clown

PRÓLOGO

"Benja", a Teuda precisa de um soutien novo,
Você não percebeu?
"Benja", não confunda o louco da cidade
com o prefeito.
"Benja", vocês bem que podiam
apresentar em Passos...
"Benja", e o ventilador?

***

Preciso urgentemente encontrar
meu ventilador.
Meu giro, minha gira,
Meu giro alucinógeno,
Meu dervixe rodopiante
Meu transe que gira,
Minha gira.

Isto que gira, saiba,
é paixão obsessiva,
desenfreada,
insana, e
ao mesmo tempo,
é anestesia, dormência
deleite,
algo que rutile até cegar.

Por que não posso com que prefulgir
de pronto, quando quero?
Parece que sei o que espero,
mas não sei se meu desejo anela
minha presença física e mental
tanto quanto eu o anelo.

Rápido, jogue-me no meio da roda
e me faça girar, deixe girar
o que gira.
Que eu encontre meu ventilador,
que eu possa fazê-lo parar
com as minhas mãos,
ou se não isso,
ao menos deixe-me tocá-lo,
conhecê-lo!

Deixe-me reconhecer este afã
de ter um objeto de devoção,
uma vida para guardar
no precioso do ser.

***

EPÍLOGO

"Benja", não tô dando conta.
"Benja", me conta de novo
o que o rato, o gato e o palhaço
fazem?

domingo, 2 de junho de 2013

Gal Costa - "Onde Deus Possa Me Ouvir"

Sabe o que eu mais quero agora?



Deixa eu chorar até cansar...



Me deixe aqui, pode sair...

SUSPIRADO

Até aceito o cansaço,
Só não o entendo.
Sei que não é só isso.

Um girassol, por exemplo,
Não é só um girassol.
É um pedaço de Sol apaixonado
Que segue seu astro amado.

Então meu cansaço deve ser
Parte de alguma coisa apaixonada
Por outra coisa amada ainda maior.

Engraçado isso de apaixonado,
Porque minha mãe sempre usou a palavra, triste
"Fulano ficou apaixonado por não ter ido..."
Sendo assim, a outra parte do meu cansaço
Pode ser paixão.

Paixão é coisa triste.
Ô m'ô Deus!
Esse menino tá momento demais!

CORTEJO

Tan-tan-tan
tan-tantantan

tan-tan-tan
tan-tantantan

tan-tan-tan
tan-tantantan

***

tá-tá-rá-rá-tá
tantan

tá-tá-rá-rá-tá
tantan

tá-tá-rá-rá-tá
tantan

TAROT

Numa consulta às cartas
(Pela internet)
(Mandinga digital)
Lhe fora revelado toda a vileza.

Não lhe caberia fugir do destino soberano.
Acabariam por lhe passar a perna,
Lhe jogar no chão,
e subiriam em sua carcaça para atingir o topo.

Não.

Estava decidido a passar por isso incólume.
Impávido jamais se entregaria.

Faria com que as dores se voltassem contra o agressor.
A criatura tão pérfida e astuta queimaria a língua em um caldeirão de óleo fervente 
Ao meter o nariz pensando se tratar de fina sopa.

Mas quando o facínora corrupto foi mostrar a cara,
A conexão caiu.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Mata

É mato.
Mata.
Mas não mata.
Corre sozinho no meio do mato,
Sob a lua cheia branca,
É mais parecido com um sentimento que me revira,
Me espanca, 
Me contorce,
Me enlouquece
Por não saber o que
Há de errado em não saber.
O quê?
O'd'é? [Onde é?]

Parece que a vida é a razão de tudo,
E parece que um pai solitário leva seu filho pra mata
Pra não matar, desta vez,
pra caçar,
Caçar por amor de quê?
Caçar a solidão que lhes é inerente,
Caçar a contemplação solitária da lua branca,
Caçar a divindade que pede a solidão no mato,
Caçar uma caça ínfima, efêmera,
De curtíssima meia-vida, pouco radioativa caça,
Que pode não ter importância no próximo segundo,
Mas foi uma flechada em acordo com a vontade do arqueiro.
O quê?
Okê!

Quantas flechas tem o caçador de coração que voa fácil?
Não se sabe. Mas é sabido que ele possui uma flor peferida.
E para esta flor, todos os cuidados.
Mais cuidados que para a cachoeira.
Mais cuidados que para o vento.
Mais cuidados que para ele mesmo.
Que mal fez esta flor para merecer isso?
Tanto extremo mata?

E se tentarmos perguntar ao solitário, não pensará duas vezes.
Para onde correrá sob a luz da lua branca?
Para a mata.
Para não responder,
bicho do mato,
divino, solitário, intenso,
arqueiro que mata.
Que mata!
 

domingo, 26 de maio de 2013

Ça va!

Um balanço:
fina francesa
olho no olho
marcas e manchas
idiossincrasias indeléveis indecifráveis
querem, mas não merecem,
merecem, mas não querem,
precisam de um show que lhes agrade,
mas o show será particular.
plateia distinta.
Je ne regrette rien!


[25/05/13, calourada na Puchero]