[Dhu Rocha, Casa dos
Bárbaros, Ouro Preto, MG, 29/11/13, às 06h09min]
A chuva vem anunciando
sua chegada
Depois de
inquestionável nublamento.
Cada pingo vem como
palavra molhada,
Como letrados exigindo
esclarecimento.
Passamos por dias
quentes,
Brisas de sonhos, uma
quimera
Corpos e juras
efervescentes
Bonitezas e promessas
de espera,
Mas o fato é que o
amargo de fato
É o mais puro
desdobramento do doce.
E nossa fome sempre
será mais que um ato
De entrega do que quer
que fosse.
Era pura poesia de nós
Nós pronome, nós
amarrados
De cordas em quartos a
sós
Formando rizomas
interligados
Que jamais serão
destruídos
Mas não estão a salvo
do fim
Sufocados pelos ruídos
Das suas inquietações
por mim.
Perdoe-me se prefiro
escrever
Ao conversar com quem
me escreve.
Percebo tudo e posso
entender
O que faz com que seu
coração se entreve.
Lamento profundamente a
situação.
Entretanto, não tenho
certeza da luz
Que habita sua condição
De propensão ao
sofrimento da Cruz.
Parece-me obscura sua
vida.
O que há de se fazer?
Agora estás doce, e
segues sua lida
E noutro momento,
pareces morrer.
Sofres tanto, sem
necessidade!
Tenha compaixão e
entenda meu lado:
Nem eu sei o que quero
de verdade,
Como podeis me julgar
errado?
Não acreditas no que
acredito,
Senão ao menos poderia
lhe dar conselhos.
Não quero ser a
solução do conflito
Quero apenas mil beijos
vermelhos
De mil bocas diferentes
Se minha energia vibrar
Em frequências
emergentes
Pelos caminhos que vou
caminhar.
Não pediria a
distância,
Mas ela
irremediavelmente se impôs.
E meu desejo de
errância
É a música que meu
coração compôs.
É valsa pra solar bem
juntinho,
Com propensão de
alegria.
Disse o poeta que é
bom ser sozinho.
Sozinho, mas em boa
companhia.
P.S.: Te amo muito. Amo
tanto quanto amo minha solidão. Tanto quanto amo a Lua. Tanto quanto
amo Aang e Korra. Tanto quanto amo Deus e o Mundo. Tanto quanto um
canceriano possa amar.
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