Quando me vem esse aperto no peito
e eu penso que não vou dar conta,
eu me lembro de todos os conselhos
que distribuí...
Uma certeza de que é tudo meu,
essa tristeza, essa falta de ânimo,
essa falta de ar,
me assombra e me esclarece.
Hoje eu sonhei com um amigo
que não vejo há muito tempo.
Uma saudade mansinha...
Daquelas que não doem
nem incomodam,
só alegram a gente
por causa de uma coisa boa que vivemos
há uns sete anos atrás.
Quando não se espera nada da vida,
qualquer coisa que acontecer
já é uma grande coisa.
Eu escrevi isso há bastante tempo,
quando tudo estava bem,
pra ouvir isso dito pela boca
de um ator.
Ele nunca disse, mas está escrito.
Os poemas têm o direito de serem assim, tão sem graça?
Porque talvez seja este o problema:
esperar muito da vida, quando na verdade,
não precisamos de nada além de uma comida gostosa,
uma água fresca e uma cama macia.
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