Ele foi andando na direção do sono com passos lentos, sem movimentos bruscos...
E não é que mesmo assim o sono fugiu em disparada para o mato!
Inúmeras tentativas foram feitas, mas o sono era muito arisco.
Ele colocou música suave, cantou Om Mani Padme Hum,
Assistiu dois filmes sulamericanos - um argentino e outro peruano - ,
Preparou uma armadilha com a comida preferida do sono
(Dessa vez, um estampido fez parecer que ele havia conseguido. Que nada! Era uma ansiedade selvagem que havia entrado na armadilha e comido toda a comida do sono.).
"_Pronto ansiedade, pode sair..."
E saiu? Saiu nada! A ansiedade antes selvagem, se afeiçoou imediatamente ao caçador. Nunca mais desgrudou do seu pé.
E pior, sempre que o sono se aproximava da armadilha, a ansiedade começava a berrar, gritar, correr de um lado para outro. Desesperado, o sono fugia para o mato de novo.
"_Desse jeito vai amanhecer e eu não dormi!" Lamentou o caçador.
"_Ou pior; posso dormir às seis da manhã e só conseguir acordar às quatro da tarde!"
"_Não! Dormir o dia todo pra ficar sem sono a noite toda? Não! De jeito nenhum!"
Sem nenhuma outra ideia e com a ansiedade agora mastigando seus sapatos, não havia outra saída. Resolveu não dormir.
A única maneira de não acordar tarde era não dormir, ora veja!
"_Basta de trocar a noite pelo dia! Quero ver os sorrisos e o pulso da vida que só acontecem durante o dia! Chega de caso com a noite!"
E a grande resolução: "_Se não for pra dormir à noite, então não vou dormir nunca mais!"
O caçador tinha certeza de que o sono ia rondá-lo o dia todo. Nem mesmo a ansiedade ex-selvagem poderia afugentá-lo em todos os momentos. Agora a batalha era outra. Deveria manter o sono longe até a noite.
"_Como vencer um dia inteiro de compromissos com um sono insistente e inconveniente roubando sua atenção?"
Naquele dia, nada foi dito ou feito. No dia seguinte, também não. A semana seguinte, idem. O mês seguinte, sem novidades. Seis meses... Um ano... Cinco... Cem.... Mil...
"_Mil?"
"_É. Mil. E cale a boca, ansiedade. Quem está contando a história sou eu! Se não posso dormir, ao menos posso ficar mil anos sem dormir, se me der na telha."
E depois de mil anos, chorando, o sono parou de persegui-lo durante o dia. Prometeu acompanhá-lo só durante a noite. Seis horas, oito no máximo por noite. Prometeu nunca mais fugir do caçador. Ia entregar-se de bom grado.
Os dois abraçaram-se, e um clarão no céu foi visto num raio de 1200 quilômetros. A voz que contava coisas a todos nós contou-nos o último grande segredo da vida e de todo o seu ciclo. Ela disse....
...
("_Ei! Acorde! Acorde! Você precisa terminar a história! O que foi que a voz disse? Diga!")
Interrompemos esta história porque o autor caiu no sono.
Pedimos desculpas aos leitores. Tentaremos contato com o autor via mensagem astral. Se conseguirmos entrar no sonho dele, tentaremos trazê-lo de volta para que continue seu ofício.
Do contrário, acompanhem nossa programação emergencial especial:
"O Terço Bizantino"
com Padre Marcelo Rossi.
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