quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A música que eu escutava e o livro que eu lia.

Lendo e ouvindo música
Pablo Neruda arrotou arruda
Para ler literatura como um professor
Thomas Foster foi o que é
Saudáveis homens com saia de mulher
São criadas de Genet
A vida toda somente a esperar
Godot que não vinha mas agora chegou.
Chegou. Che-gou, Che-gay, Che-bicha. Maconheiro
Da boca de Cazuza de desuso
Não se usa mais lutar pelo que
Se quer, se quiser pode vir
Também, com toda a comunidade
A dizer Amém.
[E um Halleluja] Oh happy day!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

AMOR HÁ

Da trilogia. 1.INFÂNCIA 

...OU O MICRO-CONTO DO MENINO QUE DESCOBRIU O AMOR SOZINHO SEM NINGUÉM LHE CONTAR

(fragmento)

Amora? _Ele não entendeu.
É, amora! _Repeti sério. Mas isto não foi o bastante.
A-MO-RA... Eu disse pausadamente e ele se enfureceu. Achou que eu estivesse caçoando. Mas não era verdade.
Ele quis saber por que eu, do nada tinha dito aquilo. E eu não tiro-lhe a razão. Estávamos os dois sentados no murinho, em frente a escola - ele falando sobre o Cruzeiro, eu olhando a imagem refletida nos óculos dele, sem prestar atenção a uma palavra sequer. Tudo bem. Qualquer um ficaria incomodado, eu sei. Mas é que no reflexo dos óculos eu vi o pé de amora carregado de frutinhas, mais que roxas, quase pretas. Sempre fiquei com dor de cabeça depois de comer amora. Nem por isso deixava de saborear cada uma que passasse por mim até ficar com os lábios tingidos.
Amora... _Eu disse conclusivo e apontei para o pé. Aaaahhhhhh! _ Ele exclamou compreendendo só agora. Antes tarde do que nunca.
Pronto. Já estávamos os dois debaixo daquela árvore. Ela tinha uns dois metros de altura e os galhos cresceram e dobraram para baixo fazendo uma espécie de barraca. Sentamos dentro dessa residência de amantes de amoras e começamos a catar e comer as frutinhas.
Eu sei que em dado momento, já lambuzados de amora, olhamos um para a cara do outro e rimos até chorar, descontrolados. Choramos.... Choramos... Choramos... Nos olhamos de novo e demos um sorrisinho amarelo. Ele foi ficando transparente... transparente... transparente... até sumir dentro de mim de novo. Sozinho, percebi que dentro de mim AMOR HÁ.

(G.M.S.R.)

domingo, 25 de setembro de 2011

O DIRETOR


Assistindo a uma aula de Fundamentos de Direção Teatral Para Licenciatura, 
do curso de Artes Cênicas/Licenciatura da Universidade Federal de Ouro Preto, 
consegui absorver do conteúdo, o desenho acima.

Réquiem Para Sátiros

Amanda Cursino, Dhu Rocha, Laira Oliva e mais alguém que não deve ser nomeado em nome de Maju, na escadaria da Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões 
[A Mercês de Baixo]


QUEM NUNCA

 #### 

 Parãmmm 

 Quem nunca quis morar com os melhores amigos inventados? 
Quem nunca viu o boi do quintal comer suas roupas no varal?
Quem nunca quis encontrar pessoas compartilhadoras de ideias? 
Quem nunca sentou ao redor de uma fogueira com a inspiração de Baco? 
Quem nunca foi confundida com uma Santa ao chupar laranja no quintal? 
Quem nunca correu para esquentar?
Quem nunca falou que dois mais dois dava amarelo? 
Quem nunca transformou cinco beijos em um com vinho e Madonna? 
Quem nunca escreveu um filme e como não anotou esqueceu (na cabeça com a galera)? 
Quem nunca se perdeu ao som de um bolero, um vinho barato e uma conversa... ? 
Quem nunca viu nos amigos que Todo Homem Chora pela primeira vez?
Quem nunca foi expulso da própria casa e levou o "rock" para a rua?
Quem nunca foi à praça da estação, ficou cantando na madrugada e subiu na galinha?
Quem nunca chorou perna a baixo ao ver uma galinha derrubar várias pessoas?
Quem nunca virou duas pingas para Tirar as Mágoas, chorou junto e deu um beijo no susto?
Quem nunca tomou um vinho e um caldo ao lado da fogueira?

Quem nunca foi um Sátiro na Sátiros?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Do amor e da justiça

Amor é coisa violenta se ficar desequilibrada. É coisa que corrói por dentro e quando já corroeu tudo, sai na forma de lágrima vermelha, preta borrada. Com tudo isso quero dizer que não há justiça na verdade. Não pode ser a justiça uma prova de amor. Ao menos, não como a conhecemos. Justiça na concepção atual nada mais é do que exigir que quem nos fez mal sofra. Isso assegura o amor? Onde? É por isso que lhes digo, meus queridos, o amor verdadeiro e puro não foi experimentado ainda pelos homens. Apenas a falsa ilusão de querer bem. Isso não é o amor em sua totalidade. Por mais que o espírito humano esteja fadado a buscar o amor aconteça o que acontecer, as confusões da existência humana deturpam a visão dos seres, enchendo-as de falsas certezas e inquestionáveis enganos. Amor é coisa violenta se ficar desequilibrada. É coisa que corrói por dentro e quando já corroeu tudo, sai na forma de lágrima vermelha, preta borrada. Com tudo isso quero dizer que não há justiça na verdade. Não pode ser a justiça uma prova de amor. Ao menos, não como a conhecemos. Justiça na concepção atual nada mais é do que exigir que quem nos fez mal sofra. Isso assegura o amor? Onde? É por isso que lhes digo, meus queridos, o amor verdadeiro e puro não foi experimentado ainda pelos homens. Apenas a falsa ilusão de querer bem. Isso não é o amor em sua totalidade. Por mais que o espírito humano esteja fadado a buscar o amor aconteça o que acontecer, as confusões da existência humana deturpam a visão dos seres, enchendo-as de falsas certezas e inquestionáveis enganos. É preciso desamarrar nossos fardos pesados, nossas malas carregadas de máscaras e personas prontas para enganar a sociedade e pior, enganar nós mesmos. É preciso deixar o coração e a mente livres para amar, não com sentimento de posse, mas com sentimentos de partilha. Porque o amor é compartilhar nossa vida com alguém. Impor-se não adianta. Isto aprisiona a totalidade que habita cada ser. E não se iludam. Ninguém poderá fazer qualquer coisa por você ou pelos outros, na realidade. Porque existe um ponto limite, do qual não podemos ultrapassar. Eu posso tentar te ajudar, mas eu jamais conseguirei chegar ao seu íntimo e transformar alguma coisa. É você que tem que fazer! O máximo que posso fazer é ir até o limite entre o seu íntimo e a parte acessível a todos as coisas a sua volta. Nada acontecerá se você não tiver alguma causa para impulsiona-la. No campo do amor, concluindo, não podemos obrigar ninguém a amar. Podemos chegar ao limite das nossas possibilidades, mas o profundo sentimento ainda estará dentro da pessoa e nada poderemos fazer. Por esta razão, o amor jamais será egoísta. Se houver egoísmo, não haverá amor. Se houver possessividade, jamais haverá amor. Se as pessoas não se abrirem de verdade para que o efeito correspondente à causa do amor, este sentimento não despertará. E ficará o questionamento para o/a querido/a leitor/a: "O que faço que me impede de amar de verdade?"

sábado, 17 de setembro de 2011

De Casa

É só a varanda ficar aberta que as galinhas entram,
Sobem no fogão a lenha
E saem pelo janelão de madeira da cozinha...

E o gigantesco Carcará
Em cima da aroeira
De olho
Na ninhada recém-nascida
Da galinha pedrês...

Oh, não! Tem um bandalú no meu pé!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SoRRisOCOlo BEijAbRaÇO

Armo e desarmo para voltar
À terra que tanto amei
Assistindo cada curva dobrar
Descendo a serra que idealizei.

Vou-me logo pois não sai
Da mente a mais forte lembrança
Sorrisocolo de mãe, beijabraço de pai
Irmã segurança eterna desde criança

Já já chego para amar
Bem bastante
Até não mais aguentar
Aproveitando cada instante.

domingo, 11 de setembro de 2011

Qual é a cor do Amor?

Minha homenagem a você.




Primeiro é o beijo
Quente, procurado
A língua procurando a outra
E vendo se a boca combina
Se combina o beijo
Meio caminho andado
Depois é a pele
Se a textura vale
O pêlo com pêlo
Ou o pêlo com o seu pêlo
Ou os pêlos com meu pêlo
Ou o medo
Depois o cheiro
Um procura no outro
O cheiro de colônia ou
O cheiro de prazer
E os dois se embriagam
Ou vão até o banheiro
Depois a cor
O amor tem cor?
Cada amor tem uma cor
Cada beijo tem uma cor
Cor de caramelo doce
Cor de madrugada fria

P.S. A letra, se não me engano, é do Cazuza.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Palavras do Presidente Ikeda sobre a arte

"Acredito que o mais importante é simplesmente começar apreciando a arte. Se o seu primeiro contato com a arte for por meio acadêmico ou analítico, é provável que acabe se sentindo confuso e perdido em relação ao seu verdadeiro significado. Não acredito que quando as pessoas ouvem o canto de um pássaro ou contemplam um campo florido, tentem analisar essa beleza intelectualmente. Com certeza, para apreciar algumas grandes obras de arte em sua totalidade, devemos nos concentrar e fazer um certo esforço mental. No entanto, a apreciação começa simplesmente pelo contato com a obra. Com a música, por exemplo, iniciamos apenas ouvindo-a. Com uma pintura, iniciamos olhando-a. Sinto que muitos ficam tão preocupados em analisar um trabalho artístico que acabam não percebendo sua verdadeira natureza."
Nam-Myoho-Rengue-Kyo

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cigarro Canceriano

No fim de domingo, vontade de desenhar. Um cigarro de palha aceso, apagado. Ergue-se da mão, caminha pela mente Com patas de caranguejo Beija e rola gota Sou da água Fumaça brincante Ying Yang Que mata De olho castanho claro feito o meu Que metade enxerga amor Metade enxerga meu olho Em você.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

PELE

Me cobre
Te encobre
Je m'appelle...
Sua pele.
No corpo inteiro
No meu
No seu
Não há pele?
Sem apelar!
Não apele!
Tecido fino
Eu toco
Você toca
Nossa pele suada
E então viramos um
Até cansados nos deitarmos
O teu sono até que eu vele
Onde começa tua pele?
Me esfole
Me console
Me lambuze
Me mele
Não seja mole
Sua pele
Je m’appelle
Nós.
Quem está aí dentro?
Je m’appelle
Pele.

sábado, 20 de agosto de 2011

Visita

Ele sempre volta a visitar
">

A Última Dança de Myoho

Finalmente publico a minha primeira dramaturgia escrita na UFOP. O texto foi interpretado por mim na Mostra de Monólogos e Música da Semana de Artes de 2010. Estou preparando uma nova montagem para a obra, mas enquanto isso não acontece os caros leitores podem conhecer este meu filho querido nas linhas que se seguem.(Ah, e tem também o cartaz da época da estreia.)




No começo tudo era nada. Um grande e vazio nada. Tudo era ordenado na desordem sem começo nem fim. Até que em um dia Ele resolveu que ia aprender a dançar.
Era um Deus solitário – O Grande Ser - com um Universo inteiro só para Ele. Acordava bem cedo, espreguiçava-se em sua cama e ficava olhando para a eternidade. Numa manhã dessas, Ele decidiu que ia aprender a dançar.
Pegou todo o seu Amor e foi dividindo. Parecia um grande boom! Uma explosão linda! Dessa explosão nasceu sua parceira de dança, a Criação.
O Deus solitário e a bela Criação resolveram após um rápido alongamento - não mais que meia eternidade – que estavam prontos para começar a dançar. A coreografia ia ser construída em oito movimentos, e essa oitava ficou por conta do deus solitário.
Primeiro Movimento!
Ele criou um espaço para dançar. Um lugar onde os dois pudessem rodopiar à vontade. Chamou-o de mundo! O lugar onde ficaria o palco. “E que haja luz!” Ele gritou e os refletores se acenderam.
Segundo Movimento!
Ele pintou um fundo azul para o cenário, como nuvens que iam passando... De um lado para o outro... Mudando de forma...
Terceiro Movimento!
Ele se dedicou ao palco. O mais bem feito que já vi. Os mares dançando ao redor de grandes patamares de terra – estrutura firme! Na cenografia, criou estruturas muito bem trabalhadas e funcionais: plantas, flores, árvores e frutos de tudo que é tipo.
Quarto Movimento!
Ele afinou a iluminação. Criou um sol forte para as cenas mais iluminadas, mais esplendorosas e uma lua cercada de estrelas para um momento intimista mais próximo da plateia.
Quinto Movimento!
A Criação resolveu que precisava de mais elementos de cena e o Grande Ser criou animais. Uma bicharada bonita! Bicho em cima da terra, bicho em baixo da terra, bicho que voava, bicho que nadava, bicho que corria. A montagem ficou deslumbrante com os novos adereços. Mas só ficou pronta mesmo para dançar no sexto movimento.
Sexto Movimento!
O Deus solitário criou um tal homem e de um pedaço dele, criou a mulher. Agora podiam fazer os passos ensaiados! Mais dois movimentos e a coreografia estaria completa!
Sétimo Movimento!
Como já estavam adiantados, o Deus solitário resolveu dormir. Voltou para os seus aposentos, fechou os olhos e adormeceu profundamente. Quando acordou, não acreditou no que viu.
Oitavo Movimento!
O homem e a mulher que Ele tinha criado resolveram fazer sozinhos o Oitavo Movimento. Os dois dançando sozinhos multiplicaram a dança e logo o mundo estava cheio de gente. O Ser olhou para aquilo e ficou preocupado. Os homens começaram a girar, girar, girar tão descontrolados que caíram ao chão. O Ser se ofereceu para ajudar, mas o homem se levantou e saiu correndo pelo palco.
O primeiro passo do homem foi juntar seu bando e sair na frente. Pedras, paus, ossos e ele já estava no comando. Assumiu a postura vertical e quando atirou a primeira pedra para ferir seu semelhante estava finalmente civilizado.

Passou então a dançar com enormes blocos de pedra nas costas. E diziam uns aos outros:
_Venha! Vamos juntar todas a pedras e vamos construir um lugar seguro, onde a chuva não molhe, onde o sol não castigue, onde os animais não incomodem e onde tudo o que é meu fique guardado! E que ninguém mexa! Porque o que é meu é sagrado!
E todo mundo resolveu dançar construir esses lugares de pedra. Deram um nome interessante para esse movimento: cidade.
Foi neste momento que cada homem quis fazer seu solo. Dançar sozinho enquanto os outros ficavam olhando. O Grande Ser se ofereceu para dançar junto, fazer um “duo”, mas o homem não quis. Ele agora era Rei. E já que um podia, todos queriam também. Resultado: surgiram reis em todos os cantos. Cada um querendo coreografar um ballet próprio e egoísta.
O tempo foi passando e o Grande Ser, continuava sendo um Deus solitário. Foi aí que Ele teve uma grande ideia. Resolveu ser homem também. Desceu e convidou o homem para dançar. Alguns gostaram. Outros acharam a ideia ridícula. Tão ridícula que pregaram esse homem-Deus em uma cruz.
Mas tudo desandou mesmo na hora de escolher o primeiro bailarino do espetáculo. Cada homem queria aparecer mais que o outro. Esqueceram-se de que a coreografia só funcionava quando os dois: O Grande Ser e a Criação dançavam juntos. Criaram uma partitura corporal chamada guerra. As luzes foram para um tom avermelhado, da cor do sangue derramado dos homens. Na mise-en-scène formada, os pais foram lutar na guerra, as mães foram chorar pela guerra e os filhos foram brincar de guerra.
_Esse silêncio que antecede a explosão da bomba é a pior coisa. E um, dois, três, quatro, Hiroshima, Nagasaki, sete, oito, puxa a ponta!
E não adiantava o Grande Ser falar nada! No meio das explosões e risos o homem não ouvia nada. Foi então que curiosamente o homem resolveu colocar esse Deus solitário na dança de novo.
(Com canto gregoriano)
“Um cheiro de vela queimada
Um gosto de cera derretida na boca
Em nome do Deus solitário
Nós jogamos bombas nos outros homens
E nos explodimos em nome de Allah!”
Não satisfeita, a Criação resolveu mudar o cenário e o figurino original. Derrubou as árvores – não vão fazer falta. Tem muitas por aí. Mataram milhares de animais – mas o mundo é dos mais fortes, não é mesmo? As pessoas começaram a morrer sem água no meio das enchentes, tempestades, inundações, tsunamis. Sem ar para respirar no olho dos ciclones e furacões, ou enquanto os aviões caiam. O público assistia cada vez mais impressionado. Estava chegando o “Gran-Finale”.

Olha só! Viu o que Você fez? Viu só no que deu? Está satisfeito agora? O último movimento, o oitavo movimento da coreografia do homem vai se acabar em uma desgraça?
“Onde pode acolher-se um fraco humano?
Onde terá segura a curta vida?
Que não se arme e se indigne o céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno...”
Foi então que um foco de luz se acendeu no alto de uma escadaria no centro do palco. Era o Deus solitário que finalmente podia entrar na coreografia. Segurou a Criação pela mão e a fez girar. Como em um passo ensaiado, retomaram a coreografia. Ele aproximou-se da Criação e sorriu como quem diz “Vai dar tudo certo.” O homem então compreendeu tudo. Uma lágrima molhou o tablado e os refletores se enfraqueceram. O oitavo movimento finalmente chegava ao fim. O último instante em cima do palco e depois a morte. Mostre escandalosamente silenciosa que chegaria sem avisar quando o público aplaudisse de pé ao espetáculo do homem. Um último movimento e o Deus solitário voltou a ter companhia. Sua Criação o abraçou e eles se posicionaram para agradecer. O homem fechou os olhos para sempre. Os oito movimentos estavam completos!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

χωρίς όνομα

Coisa nenhuma
é o nome costumeiramente dado
a tudo aquilo que,
de tão maior que tudo
é
INOMINÁVEL.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

αγαπώ

Que saudade de coisa que não sei o que é!
Dizem os poetas que isso se chama
amor,
querer bem,
xamego
Se for amor, amor de quê?
Amor por quê?
Amor por quem?
Amor é saudade de coisa nenhuma.

Pareço vazio?

domingo, 14 de agosto de 2011

Encontro sonhante

Quero dormir onde você ficou
Para te sentir, oh consciência
que bate no peito.

Vou sonhar e meu sonho será um espetáculo
Vai tocar uma música que eu gosto
E eu te encontrarei consciência.

Poesia para o silêncio

Como fui tolo.
Esse tempo todo e tudo que eu fiz
Foi rasgar a poesia na cara.

Eu quis tanto falar ou fazer
que a poesia foi ficando tão sufocada
Tão sufocada que achou melhor ir.
E eu fiquei aqui pequenininho
Sentindo-me menor ainda.

Uma luz, era amor, eu acho
Muito sutil brilhava lentamente
O sem-palavrismo que sempre me angustia
Lembrou-me que não posso controlar tudo
E nada é tão saboroso como colocar tudo nas mãos
do sábio e gentil destino.

E quando eu pensei que fosse ficar com um vazio
A noite inteira,
Três beijos doces a vida me deu.
Plexo Solar, Cardíaco, Mãos.


sábado, 13 de agosto de 2011

Do Chá e Da Chuva

Escrevi esse conto em ‎3‎ de ‎abril‎ de ‎2011, ‏‎21:44:35. Postei em , blog das disciplinas de dramaturgia do curso de Artes Cênicas da UFOP e só agora posto pra valer em meu blog. Espero que curtam e comentem!

"As gotas pesadas como pedras redondas caiam com toda a força no telhado. Era hora de interromper a leitura e fazer um chá. Chá de Ibsen, Tchékhov, Strindberg, Maeterlinck e Hauptmann com laranja e canela. Perfeito para a ocasião.
Aquilo havia se tornado um ritual – fazer chá. Aprendera com tio Iroha a dar valor a esses momentos sublimes diante de uma água em princípios de borbulhar no fogão. Os cheiros que subiam eram o ápice do ritual. A mão direita segurava o bule e a esquerda, aberta, espalmada para cima debaixo do bule – sem tocá-lo – derramavam o líquido no recipiente. Com uma reverência. Sempre.
Agora sobre a escrivaninha o chá do lado direito. Vela acesa. Lembranças apareciam. Do dia. De antes. De nunca. Saudade. Mãos respeitosas levam o chá à boca. Havia falado com quem amava há pouco. Tão longe e feliz. Um gole de chá. O vapor embaçava os óculos. Tanta coisa pra contar. A empolgação era como a chuva. Agora só gotas fracas machucavam de leve o telhado. Chá sem açúcar. Como deve ser. “Você não pode abrir mão de leituras rebuscadas. Como vai argumentar a vida assim?” Eu pensava. “Quer que eu vá até você?” Eu não acreditava. Sempre quis ir. Mas não tão fácil. O chá já não está tão quente. Quando esperamos a vida esfriar para que não saiamos queimados corremos o sério risco de, experimentar uma vida sem gosto. Não nos fará mal, mas também não nos completará como precisamos. O calor é essencial ao movimento interno. Quase no fim do chá. Eu esperei o chá esfriar no alto do morro e agora imagino como seria se eu tivesse arriscado queimar minha boca na sua outra vez. O azedo da laranja, o amargo da canela."

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

11 de agosto, claramente

Clarissa Clara Santa
teu dia hoje
paz e bem.
Claridade em Assis
Ao lado da alegria da santidade
Francisco.
Ordem 2ª
Paz e Bem.
Homenagem doce
para uma virgem
de luz
Paz e Bem
Dai-nos o dom do desapego
às coisas desnecessárias
Necessárias ao contrário
Paz e Bem
Quero Preciso desapegar de muita coisa
Mas muita coisa não desapega de mim.
Pra que tanta indocilidade?
Pra que tanta vaidade?
Pra que tanto orgulho?
Pra que tanta ostentação?
O mundo não era mais simples?
Será que eu já me esqueci?
Santa Clara, clareia a mente do artista
E mostra o que realmente importa.
Paz e Bem

Sarretalho

Retalhos.
Coloridos e costurados.
Fazendo sonhos e ilusões
de um artista
sairem e caminharem
vivos pelas ruas
viajando
por todos os lugares.
Um agora são dez.
Todos os dez são um.
Salta e cai de banda
Sarrabalho anda
Vai
É dois, é três, não cai!

Afinal [Álvaro de Campos]

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.
Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,
Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam
Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,
Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.
Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!
Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,
Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.
Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.
Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte ...
Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.
Dentro de mim estão presos e atados ao chao
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,
A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!

Para Dona Nadir

Lá fora a dona corta as rosas murchas
Secas e mortas
Equilibradas no meio muro.
As que ainda resistem
São aguadas com abundância.
_Hei, não adianta molhar de uma vez só
o que não foi molhado há dias.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

THC: Todo Homem Chora ...

Todo Homem Chora
...
Desci ouvindo
"don't cry for me Argentina"
...
Trago Hoje Ciúme
...
De vidas e épocas nossas que só viveram em mim
...
Trabalho Honestidade Cerveja
...
Dois mais outro no Satélite
...
Tonto Homofóbico Contrário
...
Digo coisas cruéis do coração ao avesso
...
Trepadeiras Humanas Cantam
...
Desnorteadas pela rua do Triunfo
...
Tudo Hermeticamente Confinado
...
Direitinho, pra caber na minha lembrança. Uma parceria
...
Textos Histórias Contos
...
Dramaturgos compartilhando ideias
...
Tomaram Horas Conversando
...
Devidamente alcoolizados
...
Terminando Horrorosos Caidos
...
Diante do Festival que se acabava
...
Teatrohidrocanabinol
...
Detesto!

-ite

Esse cheiro ele conhecia muito bem.
Sempre disseram que era sinusite.
Rinite não se irrite não imite
Não venha me imitar.
Mas sempre que sentia esse cheiro de sinusite
Sabia ao mesmo tempo que não estava bem
Mas que ia acontecer alguma coisa muito boa.
Era sempre assim.
Cheiro ruim de sinusite, coisa boa.

"Minha língua é um copo d'água na tua boca de dragão."
Fino Coletivo

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DESEJOS [Carlos Drummond de Andrade]

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Do ensaio aberto

A vida é uma obra de arte inacabada. O artista deve, portanto, estar sempre a postos e trabalhar seu dom paulatinamente - pois se engana quem acredita no imediatismo da vida.
Em virtude disso, faço de minha vida um ensaio aberto do espetáculo maior que é viver. Isso não significa, no entanto, que vivo pelas metades esperando o momento do espetáculo começar. Seria doloroso viver esperando um futuro, ou ainda, em função de um futuro. Trato da vida como ensaio aberto pois vejo apenas o AGORA. E como não me acomodo com o agora apesar de vivê-lo intensamente, sei que a cada novo agora sou melhor e diferente do instante que passou. No fim das contas, cada instante desse ensaio aberto é um fragmento do espetáculo da vida in media res e que permanece em constante work in progress.