sexta-feira, 29 de novembro de 2013

RESPOSTA SEM PERGUNTA



[Dhu Rocha, Casa dos Bárbaros, Ouro Preto, MG, 29/11/13, às 06h09min]



A chuva vem anunciando sua chegada
Depois de inquestionável nublamento.
Cada pingo vem como palavra molhada,
Como letrados exigindo esclarecimento.

Passamos por dias quentes,
Brisas de sonhos, uma quimera
Corpos e juras efervescentes
Bonitezas e promessas de espera,

Mas o fato é que o amargo de fato
É o mais puro desdobramento do doce.
E nossa fome sempre será mais que um ato
De entrega do que quer que fosse.

Era pura poesia de nós
Nós pronome, nós amarrados
De cordas em quartos a sós
Formando rizomas interligados

Que jamais serão destruídos
Mas não estão a salvo do fim
Sufocados pelos ruídos
Das suas inquietações por mim.

Perdoe-me se prefiro escrever
Ao conversar com quem me escreve.
Percebo tudo e posso entender
O que faz com que seu coração se entreve.

Lamento profundamente a situação.
Entretanto, não tenho certeza da luz
Que habita sua condição
De propensão ao sofrimento da Cruz.

Parece-me obscura sua vida.
O que há de se fazer?
Agora estás doce, e segues sua lida
E noutro momento, pareces morrer.

Sofres tanto, sem necessidade!
Tenha compaixão e entenda meu lado:
Nem eu sei o que quero de verdade,
Como podeis me julgar errado?

Não acreditas no que acredito,
Senão ao menos poderia lhe dar conselhos.
Não quero ser a solução do conflito
Quero apenas mil beijos vermelhos

De mil bocas diferentes
Se minha energia vibrar
Em frequências emergentes
Pelos caminhos que vou caminhar.

Não pediria a distância,
Mas ela irremediavelmente se impôs.
E meu desejo de errância
É a música que meu coração compôs.

É valsa pra solar bem juntinho,
Com propensão de alegria.
Disse o poeta que é bom ser sozinho.
Sozinho, mas em boa companhia.


P.S.: Te amo muito. Amo tanto quanto amo minha solidão. Tanto quanto amo a Lua. Tanto quanto amo Aang e Korra. Tanto quanto amo Deus e o Mundo. Tanto quanto um canceriano possa amar.