segunda-feira, 23 de junho de 2014

No cantinho

Adoro quando você dorme durante a tarde.
Posso chorar sem explicar nada pra ninguém.

domingo, 15 de junho de 2014

Ansiedade

Pisca
Olha pra um lado
Olha pra outro lado
Respira fundo.

Tudo é muito interessante.
Olho pra tudo e não paro em nada.
Ao mesmo tempo tudo é chato.

Elétrico me coloco sentado.
A perna direita agitada balança.
Mudo de canal 70 vezes por minuto
E não tenho paciência para nada.
Coço a perna.
Mudo de canal mais uma vez.

Converso com Hilton
O papo é longo.
Converso de novo.
E de novo.
E de novo.
Canso de falar.
Escuto Lana Del Rey
E nem assim diminuo o ritmo.

É melhor desligar a TV.
Não. Ligo de novo.
Tento assistir Black Swan.
Melhor não.
Penso em me arranhar também.
Quem sabe eu arranco uma pena preta recém brotada em minhas costas?
Estalo todos os dedos.
Quem ligou a televisão?
Desligo de novo e ligo em seguida.

Passo a mão na testa e limpo o suor.
Paro.
O estômago começa a doer.
Pego o celular.
Será que meu amor vai me ligar agora?
Não. Não ligou.
E agora?
Não. Nenhuma ligação.
Penso em ir tomar um banho.
Água relaxa.
Vou.
Não vou.
Vou.
Não vou.
Uma pontada no estômago.
Saio correndo pra vomitar.
Droga. Odeio vomitar.
Lavo o rosto.
Minhas mãos tremem.
Terremoto.
Tenho um terremoto dentro de mim.
Coço a cabeça.
Será que quero chorar?
Não. Estou bem.

Será que não consigo fazer meditação?
As costas doem.
Quero me deitar.
Não consigo ficar quieto hoje.
Maldito domingo à noite.
E se eu morrer?
Não, não vou morrer agora.
Como posso ter certeza?
Ah, cale a boca e morra em paz.
Paz?
Não consigo.
E o banho, não vai tomar?
Ah, o banho. Vou.
Sem vomitar dessa vez.
Posso até fazer autoaplicação de Reiki.
Isso! Reiki!
REI-KI
Chorar
REI-KI
Chorar
REI-KI
Por que estou chorando?
Que merda ser tão sensível.
REI-KI
Cores
REI-KI
Mente leve
Chapado de Reiki
Risos.
Tranquilo.
Não penso na aula que vou dar amanhã.
Suspiro.

Até que a vida é boa!

Inominável

O chão frio, a casa vazia e tudo que me permeia. Não consigo ficar bem, mas também não consigo ficar mal.
Um milhão de coisas me pesam às costas quando saio de casa. Aqui dentro eu sei que elas ainda existem, mas não atingem. Todas as minhas preocupações não são esquecidas, mas mesmo assim não consigo dar atenção à elas.
Será que estou no equilíbrio? Maldito equilíbrio.


Sei que a vida está no auge,
Mas não me interesso.
Não sofro,
não desejo,
não espero,
não quero.

Não preciso de nada.

Não tenho fome, não tenho sede.
Não tenho nome, não tenho rede.
Não tenho frio, não tenho calor.

Não tenho vida, não tenho morte.
Não tenho azar, não tenho sorte.
Não tenho vazio, não tenho esplendor.
 

sábado, 14 de junho de 2014

Autorretrato

Eu sou Amor, sou Palavra, sou Água, sou Menino de Lá do Rosa e da Clara, sou a singeleza de uma cidade do interior mineiro, sou as forças da natureza implacáveis e poderosas. Sou Oxossi, sou Oxum, sou Oxumaré. Sou perdido de gosto por tudo que gosto e gosto de com força de tudo.