quinta-feira, 28 de junho de 2012

S e m S u s t o

Cada rugazinha me mostra
                                               uma nova              
                                                                 v  a  g  a  r  o  z  i  d  a  d  e...

Meu guerreiro de prata!


Meu taurino de terra parece que
                se encerra aos pou-qui-nhos


Oito milhões de DEUSES lhe reverenciam

                                                                                         silentes.
                                                               

                                            Ele em troca faz GRAÇA

Qual Ibeji criança pra sempre pula pipoca Pai da terra.


O que me diz?
C o n s e l h o s     e       a v e m a r i a s      c h e i a s             d e
p a i n o s s o .

Fecha os doces olhinhos e muito mais enruga o rosto em rogos sem perder a força.


E fala horas a fio di-va-gan-do em suas re-me-mó-rias, amigo fiel da re-ten-ti-va.

                                                                                                      A vida é mesmo este galardão.







                                                                   Sem ficar avexado.                        
                                                                                                Pode ficar sem susto.

domingo, 3 de junho de 2012

DRT: Desassossegos Realmente Tratáveis

Texto escrito como resposta a amigos, antes da apresentação da cena "Desassossego", na VIII Semana de Artes da UFOP.
O que desassossega é o ONTEM. É saber que o que passou - o que eu fiz, o que eu não fiz, o que recebeu minha atenção e meu nome - não está no plano das coisas que podem ser mudadas. O AGORA é diferente. Ele acontece neste momento. E é a partir do que acontece no Agora que o AMANHÃ é moldado.
O desassossego de AGORA nasceu ONTEM. Noutro dia. Num dia em que se fez pouco e arrotou-se muito. Num dia em que o corpo parou de funcionar como máquina cênica e transformou-se num mero holofote do ego. Somos todos seres humanos que NASCEMOS, CRESCEMOS, NOS REPRODUZIMOS, MORREMOS e EXISTIMOS, mas muitas vezes, nos recolhemos em falsas solidões, nos tornamos vítimas de nosso insuportável ego. Como deixamos isso acontecer? Mas é pra isso que serve o AGORA: para assumirmos tudo aquilo que nos desassossega. O tempo todo somos usados, por nós mesmos, pelo outro... e no fim das contas, não resta nada além do ridículo exibicionismo do qual parte dos seres humanos depende patologicamente.
Não falarei aqui dos desassossegos da mídia, dos desassossegos da sociedade, dos desassossegos que são todas as máscaras que nos são impostas ao decorrer da vida, o desassossego de morrer e não ter existido...  tudo isso eu deixo para a cena Desassossego que muitos de vocês assistirão.
Aqui, exorcizo os meus desassossegos imediatos - que são meus e só meus, mesmo que tenham partido de experiências de [des]encontro. Meu desassossego é não ter falado NÃO no começo, para evitar que tudo tivesse caminhado para o fundo. Meu desassossego é admitir que fui usado pela máquina como suporte para sua [in]gloriosa missão de brilhar na casa da ilusão a qualquer preço. Agora termino, RENASÇO, RECRESÇO, RE-REPRODUZO, REMORRO, RE-EXISTO e me REINVENTO e parto logo para um desassossego mais consistente e digno de nossa atenção.