Cada rugazinha me mostra
uma nova
v a g a r o z i d a d e...
Meu guerreiro de prata!
Meu taurino de terra parece que
se encerra aos pou-qui-nhos
Oito milhões de DEUSES lhe reverenciam
silentes.
Ele em troca faz GRAÇA
Qual Ibeji criança pra sempre pula pipoca Pai da terra.
O que me diz?
C o n s e l h o s e a v e m a r i a s c h e i a s d e
p a i n o s s o .
Fecha os doces olhinhos e muito mais enruga o rosto em rogos sem perder a força.
E fala horas a fio di-va-gan-do em suas re-me-mó-rias, amigo fiel da re-ten-ti-va.
A vida é mesmo este galardão.
Sem ficar avexado.
Pode ficar sem susto.
"Onde pode acolher-se um fraco humano, onde terá segura a curta vida, que não se arme, e se indigne o Céu sereno contra um bicho da terra tão pequeno?" [LUÍS DE CAMÕES.Os Lusíadas. Canto I]
quinta-feira, 28 de junho de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
DRT: Desassossegos Realmente Tratáveis
Texto escrito como resposta a amigos, antes da apresentação da cena "Desassossego", na VIII Semana de Artes da UFOP.
O
que desassossega é o ONTEM. É saber que o que passou - o que eu fiz, o que eu
não fiz, o que recebeu minha atenção e meu nome - não está no plano das coisas
que podem ser mudadas. O AGORA é diferente. Ele acontece neste momento. E é a
partir do que acontece no Agora que o AMANHÃ é moldado.
O
desassossego de AGORA nasceu ONTEM. Noutro dia. Num dia em que se fez pouco e
arrotou-se muito. Num dia em que o corpo parou de funcionar como máquina cênica
e transformou-se num mero holofote do ego. Somos todos seres humanos que
NASCEMOS, CRESCEMOS, NOS REPRODUZIMOS, MORREMOS e EXISTIMOS, mas muitas vezes,
nos recolhemos em falsas solidões, nos tornamos vítimas de nosso insuportável
ego. Como deixamos isso acontecer? Mas é pra isso que serve o AGORA: para
assumirmos tudo aquilo que nos desassossega. O tempo todo somos usados, por nós
mesmos, pelo outro... e no fim das contas, não resta nada além do ridículo
exibicionismo do qual parte dos seres humanos depende patologicamente.
Não falarei
aqui dos desassossegos da mídia, dos desassossegos da sociedade, dos
desassossegos que são todas as máscaras que nos são impostas ao decorrer da
vida, o desassossego de morrer e não ter existido... tudo isso eu deixo para a cena Desassossego
que muitos de vocês assistirão.
Aqui,
exorcizo os meus desassossegos imediatos - que são meus e só meus, mesmo que
tenham partido de experiências de [des]encontro. Meu desassossego é não ter
falado NÃO no começo, para evitar que tudo tivesse caminhado para o fundo. Meu
desassossego é admitir que fui usado pela máquina como suporte para sua
[in]gloriosa missão de brilhar na casa da ilusão a qualquer preço. Agora
termino, RENASÇO, RECRESÇO, RE-REPRODUZO, REMORRO, RE-EXISTO e me REINVENTO e
parto logo para um desassossego mais consistente e digno de nossa atenção.
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