quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

BOBINHO

De tanto morar em cada palavra que não lhe digo, bobinho sou e fico.

Uma desordeira sem-condição de falar, gritar, confessar que, vai ver, é verdade e estou amando mesmo.
Sim. Deve ser verdade mesmo porque até Guimarães Rosa já citei. "Amor assim cresce primeiro. Brota é depois." E mais um "Grande Sertão Veredas" inteiro só para procurar coisas de amor para dizer. Sou bobinho.

Mesmo depois de tanto esforço para não amar, para sobrepujar a costumeira vocação para ser outro antes de mim...

Será possível que eu tenha falhado e, negando o inegável, caí de novo no turbilhão de quereres, prazeres, fazeres?

Bobinho, milhões de beijos ainda não dados...
Bobinho, milhões de sonhos ainda não sonhados... Esses não!
Prefiro que permaneçamos acordados conforme seu talento para irromper alvoradas.
Vamos vivendo o dia, depois a tarde, nas caladas.
E eu, tão dono do poente, floreio palavras mal rimadas para tentar dar vazão ao sentimento novo-velho conhecido.

Ah, bobinho!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

TRAVA-VIDA


Dois pratos de trigo
Para dois touros tristes.


Dois maços de calma
Para dois touros fulos.



Dois dedos de prosa
Para dois touros mudos.


Dois suspiros de câncer
Para dois touros sangrados.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A CORRIDA DOS TOUROS NA PAMPLONA NOSSA DE CADA DIA

O que tenho eu com isso? Com tanta coisa pra fazer, pensei  comigo mesmo:
"Eu posso ajudar em algo?"
Minha resposta foi aplicar Reiki na casa pra limpar a energia densa que eles deixaram.
Você precisava ver. A gritaria foi pesada. Como nunca tinha visto antes. Fiquei com meu fone, tentando ler sobre a Pedagogia da Autonomia, do Paulo Freire. (Aliás, haja Paulo Freire nessa vida!!!)
É lógico que minha concentração foi duramente abalada pelo furacão que quase destruiu minhas paredes.
Um disse que eu fui falso e tomei partido do outro. Agora veja bem, eu, que só queria escrever meu projeto de mestrado em paz, que sempre fiz questão de ficar neutro quando eles brigavam, ia justamente agora, que não tenho tempo nem pra mandar acender uma vela, me envolver em contenda de irmãos?
Por sorte consegui respirar fundo. Não porque sou melhor que eles. Aliás, estou longe disso. Mas preferi não argumentar. Não rebati às acusações feitas a mim. E principalmente não conversei com nenhum dos dois separadamente.
Um saiu de casa. Fiquei com o outro sob o mesmo teto. E eu pensava comigo mesmo: "E agora? Se ele vier falar comigo, como posso dizer que não vou me envolver?" Felizmente ele não veio falar nada.
Eu nem dei tempo. Fui sintonizando a energia Reiki e limpando a energia da casa. Aproveitei e me limpei. Fiquei tranquilo e rezei pelo que saiu desembestado daqui.
Se eu fiquei bravo pelas ofensas? Claro que não. Eu não tenho nada a ver com isso, como já disse.
Estou numa fase que podem me dizer o que quiserem. Eu filtro. Não deixo entrar o que não é bom.
Eram dois touros brigando enquanto eu, caranguejo que sou, cuidava da minha praia. Mancharam minha areia, mas as ondas já levaram embora toda a sujeira.

Na parte em que fui citado, confesso que futuramente posso conversar sobre isso com meu interpelador. Não por mim, mas sinto que talvez ajude no processo de recuperação dele.
É estranho ficar tranquilo no meio da confusão. Está chovendo fogo e eu, com meu guarda-chuva anti-chamas sigo minha vida tranquilo.
Ou melhor, semi-tranquilo. Porque ainda não consigo ver quem está ao meu redor encrencado sem desejar que eles fiquem bem.
Desejo harmonia e compaixão aos dois touros. Nunca fui à Pamplona, mas hoje Pamplona veio até mim.


P.S.: Sei que esta postagem pode ser absolutamente desinteressante, mas estou adorando usar isto aqui como espaço de desabafo! Acho que vou fazer isto mais vezes...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

CARTA DE DESPEDIDA

Em tempo:
Antes de qualquer coisa, eu agradeço por tudo. Ainda que minhas palavras pareçam amargas às vezes, não se entristeça. Faz parte do processo.


Aquele monte de palavras emboladas na garganta…
Não sabem se saem, se não saem, como saem,
Especialmente pelo motivo de que não querem causar dor,
Desejam dar vazão ao sentimento.
Então, não aguentando mais, porque algumas coisas são atrevidas
E não respeitam certas ordens, não ouvem quando lhes dizem:
“O melhor é se calar”,
Sobremaneira alcançam a voz que não soa, mas ensandecida faz escrever.
Sem qualquer pretensão de poesia bonita ou rima forçada.

Tenho sofrido muito. Certamente porque me entreguei.
Comemorei cada dia onze nos últimos vinte e um meses.
Ainda que não houvesse o que comemorar, forcei-me debalde.
Tive esperança, agradeci, acreditei, me enganei, decidi.
Abri os olhos. E só então pude realmente entender.
Sofro porque quero. Quero a plenitude que me aguarda.
Queria tanto já ter finalmente encontrado. Ledo engano.  

É preciso ressaltar, para não incorrer na senda da injustiça,
Que vislumbrei doces momentos, pueris esperanças.
Ainda que muitas, percebo, talvez tenham sido fruto de minha imaginação,
Valeram a vivência. Ensinaram-me.
Ensinaram-me o Amor. Amor Próprio, Amor à Vida.

Você morou muito tempo em minha cabeça, sem pagar aluguel.
Sinto que você está ainda retirando suas coisas,
Desocupando o imóvel…
Agora vem o momento em que vou pintar as paredes,
Fazer os devidos reparos… acertar as contas em atraso…
Dói olhar para o estado em que você deixou essa casa.
Dessa vez não alugarei a ninguém. Vou ocupar a totalidade eu mesmo.
No decorrer da vida, quero convidar alguém pra morar comigo,
Mas nunca mais deixarei alguém assumir o imóvel assim.

Estou fazendo um grande esforço para não sentir raiva.
Juro a mim mesmo não me referir a você depreciativamente.
Por enquanto, mesmo tendo acordado sermos amigos,
Não posso ser. Não é justo com meus amigos.
Eu os trato de uma forma, lhes dedico carinhos, que não te pertencem.
Não é possível. Tentei. Mas não tenho vontade dos seus olhos.
Sei que isto é causado pela minha inferioridade.
Orgulho ferido, sensação de não ter sido o bastante,
Ou pior, não ter sido merecedor da sua atenção.
Minha boca não foi a que você quis. Você foi procurar outras.
Meu corpo gritava pelo seu. O seu sussurrava quase inaudivelmente
“Não estou querendo”.
Demorei pra perceber, porque não sabia a linguagem de sinais (talvez).

Tenho certeza de que lerei isto daqui um tempo e darei uma sonora gargalhada.
Pensarei no quanto eu fui fraco, tentarei enumerar mais uma vez minhas qualidades
Pra ter certeza de que você perdeu muita coisa.
NÃO!
Pra que ser tão cruel conosco?
Você perdeu muita coisa. Eu também perdi. Ficamos quites.

Tenho um destino lindo pela frente. De que terei medo?
Por que me entregarei à tristeza?
E, de mais a mais, meu Santo me guarda! (Okê Arô)
Pedi pra Oxum me ajudar, pra Iansã e Xangô fazerem justiça
(filho de Umbanda não cai)
Pedi pra Oxumaré transformar meu coração,
Obaluaê transformar minha vida,
Ogum me ajudar nas batalhas,
Iemanjá levar o rancor pras ondas do Mar Sagrado,
Nanã me dar sabedoria,
Exu abrir meus caminhos me concedendo força e vitalidade,
E, principalmente, pedi pra Oxalá me dar paz.

E assim termino essa despedida.
Pensei em qual seria a necessidade de publicar isto.
Não seria melhor entregar em suas mãos?
Escondi estas palavras em um lugar que você possa encontrar, se quiser.
Por favor, não venha me dizer que leu.
Não quero sua opinião, porque, no fim das contas, escrevi pra mim mesmo.
Pro meu peito parar de sangrar,
Pra me libertar do passado de uma vez por todas.
Eu ainda miro e vejo,
Mas vejo outro futuro,
Vejo um compromisso comigo mesmo.
Já me estendi além da conta.
Firmo-me, para não dizer outras sentimentalidades movidas pelo calor da emoção.
Cordialmente,

Eu.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

RECADO PARA QUALQUER UM

Não sei o porquê, só sei que tenho que falar isso para alguém.


Você alimentou o coração com mentiras, egoísmo, arrogância, prepotência... Imediatamente o coração começa a apodrecer. Entretanto, aparentemente nada muda no seu dia-a-dia. Com o tempo, a podridão vai se alastrando como um câncer. Chega um ponto em que um líquido viscoso e denso começa a vazar e corroer o corpo e a mente inteira. 


Observei esse estado recentemente. Não foi meu coração que vi apodrecer. Mas me senti mal do mesmo jeito, porque não poderia fazer nada para ajudar. Não me perguntaram nada. E quem tinha o coração apodrecido se julgava tão superior que jamais me escutaria.

Poderia dizer que é a lei da causa e efeito sendo justa, mas você não precisa de alguém que jogue isso na sua cara. Eu só queria que você sofresse menos - se possível, não sofresse. Mas, de qualquer forma, esse pensamento é egoísmo meu. Eu gostaria de te privar desse aprendizado tão cruel. Quem sou eu para ter uma vontade dessas?

Desejo energia positiva. Do fundo do coração, se eu pudesse, diria ao Universo que você não precisa pagar pelo que me fez. Diria que você está livre desse carma, no que diz respeito a mim. 

Ainda não acredito que estou desconsolado e sofrendo por uma dor (certamente merecida) que não é minha. 

Peço ajuda para quem não pediu, por um problema que não é meu. Eu sou trouxa por isso?

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Condenação da Boca para Fora

Pois aqui estamos todos reunidos
Em profundo respeito e ideal acurado
Para em nome dos santos remidos
Após breve exegese dar o resultado

Segue que a boca é pecaminosa
Em excesso e deficiência
Pois ora é prolixa e ruidosa,
Ora de palavras tem carência.

Quando nada fala tomam-na
Por desinteressada pelo irmão.
Da vez que fala reprovam-na
Por nunca entender a situação.

Desta feita, sem rodeios,
Amaldiçoada pelo cruel
Deixarás todos os meios
E encobrir-se-á com véu.

Nunca mais serás lembrada.
Será como não tivesse existido.
Selo com força essa empreitada.
Retira-te agora, membro esquecido.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Este é só mais um poema de há dor

Do nada, por graça, o coração dispara.
Um coração que só queria atenção
E agora percebe que essa coisa é rara
E não faz parte da sua inclinação.

Entrementes, não consegue declinar
O convite à tentativa de amor
O corpo fremido já não pode arregimentar
As palavras de um poema de há dor

Pululante e audaz com o tirso em punho
O nobre cardíaco membro de novo se levanta
A travar batalha de romântico cunho
Donde até a incansável Vênus se espanta

Com notada teima e pesporrência
Tentam-lhe fazer ao que é indelével olvidar
E contra tudo que o ensinou a prudência
Queda-se inglório no pedido de amar

Terá fim o sufrágio deste pobre
- Que de tanto amor descobriu carícias -
Que derrete com as paixões até o cobre,
Ou será apenas vítima de malícias?