"Onde pode acolher-se um fraco humano, onde terá segura a curta vida, que não se arme, e se indigne o Céu sereno contra um bicho da terra tão pequeno?" [LUÍS DE CAMÕES.Os Lusíadas. Canto I]
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
FOR EVER - THREE
domingo, 29 de julho de 2012
GDGDD - O GRUPO DOS CINCO [A primeira reunião]
_Estão abertos os trabalhos!_ Geraldo anunciou,
sempre tentando comandar tudo com sua lança.
E logo em seguida, os outros quatro entraram na sala
e foram sentando ao redor da mesa.
DESASSO
CEGO.
MUDO.
MAS NUNCA SURDO.
sempre tentando comandar tudo com sua lança.
E logo em seguida, os outros quatro entraram na sala
e foram sentando ao redor da mesa.
Geraldo no centro,
Dhu à direita,
Disprósio à esquerda,
Gustavo ao lado de Dhu e
Diego ao lado de Disprósio.
Era a primeira reunião formal daquela associação.
O Grupo dos Cinco
[eles gostariam de mudar aquele nome,
mas não tinham pensado em nada melhor.]
estava empolgado e apreensivo.
Afinal, ninguém sabia o que poderia sair quando todos estavam juntos.
Pose para foto.
Da esquerda para a direita:
Gustavo Girard [o escritor-filósofo-apaixonado],
Disprósio Santoro [o palhaço],
Geraldo Magela [o cidadão que tinha CPF, Identidade e Comprovante de Residência],
Dhu Rocha [o artista acadêmico] e
Diego Ramanush [o sedutor cigano]
Agora veja o nobre leitor:
quando a humanidade poderia supor
que as cinco mentes estariam unidas
em prol da criação de uma personalidade
única e harmoniosa?
DESASSO
CEGO.
MUDO.
MAS NUNCA SURDO.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
S e m S u s t o
Cada rugazinha me mostra
uma nova
v a g a r o z i d a d e...
Meu guerreiro de prata!
Meu taurino de terra parece que
se encerra aos pou-qui-nhos
Oito milhões de DEUSES lhe reverenciam
silentes.
Ele em troca faz GRAÇA
Qual Ibeji criança pra sempre pula pipoca Pai da terra.
O que me diz?
C o n s e l h o s e a v e m a r i a s c h e i a s d e
p a i n o s s o .
Fecha os doces olhinhos e muito mais enruga o rosto em rogos sem perder a força.
E fala horas a fio di-va-gan-do em suas re-me-mó-rias, amigo fiel da re-ten-ti-va.
A vida é mesmo este galardão.
Sem ficar avexado.
Pode ficar sem susto.
uma nova
v a g a r o z i d a d e...
Meu guerreiro de prata!
Meu taurino de terra parece que
se encerra aos pou-qui-nhos
Oito milhões de DEUSES lhe reverenciam
silentes.
Ele em troca faz GRAÇA
Qual Ibeji criança pra sempre pula pipoca Pai da terra.
O que me diz?
C o n s e l h o s e a v e m a r i a s c h e i a s d e
p a i n o s s o .
Fecha os doces olhinhos e muito mais enruga o rosto em rogos sem perder a força.
E fala horas a fio di-va-gan-do em suas re-me-mó-rias, amigo fiel da re-ten-ti-va.
A vida é mesmo este galardão.
Sem ficar avexado.
Pode ficar sem susto.
domingo, 3 de junho de 2012
DRT: Desassossegos Realmente Tratáveis
Texto escrito como resposta a amigos, antes da apresentação da cena "Desassossego", na VIII Semana de Artes da UFOP.
O
que desassossega é o ONTEM. É saber que o que passou - o que eu fiz, o que eu
não fiz, o que recebeu minha atenção e meu nome - não está no plano das coisas
que podem ser mudadas. O AGORA é diferente. Ele acontece neste momento. E é a
partir do que acontece no Agora que o AMANHÃ é moldado.
O
desassossego de AGORA nasceu ONTEM. Noutro dia. Num dia em que se fez pouco e
arrotou-se muito. Num dia em que o corpo parou de funcionar como máquina cênica
e transformou-se num mero holofote do ego. Somos todos seres humanos que
NASCEMOS, CRESCEMOS, NOS REPRODUZIMOS, MORREMOS e EXISTIMOS, mas muitas vezes,
nos recolhemos em falsas solidões, nos tornamos vítimas de nosso insuportável
ego. Como deixamos isso acontecer? Mas é pra isso que serve o AGORA: para
assumirmos tudo aquilo que nos desassossega. O tempo todo somos usados, por nós
mesmos, pelo outro... e no fim das contas, não resta nada além do ridículo
exibicionismo do qual parte dos seres humanos depende patologicamente.
Não falarei
aqui dos desassossegos da mídia, dos desassossegos da sociedade, dos
desassossegos que são todas as máscaras que nos são impostas ao decorrer da
vida, o desassossego de morrer e não ter existido... tudo isso eu deixo para a cena Desassossego
que muitos de vocês assistirão.
Aqui,
exorcizo os meus desassossegos imediatos - que são meus e só meus, mesmo que
tenham partido de experiências de [des]encontro. Meu desassossego é não ter
falado NÃO no começo, para evitar que tudo tivesse caminhado para o fundo. Meu
desassossego é admitir que fui usado pela máquina como suporte para sua
[in]gloriosa missão de brilhar na casa da ilusão a qualquer preço. Agora
termino, RENASÇO, RECRESÇO, RE-REPRODUZO, REMORRO, RE-EXISTO e me REINVENTO e
parto logo para um desassossego mais consistente e digno de nossa atenção.
sábado, 26 de maio de 2012
Sobre um sonho ruim que mexeu comigo...
[para quem sonha acordado pode ser um prato cheio, hein?]
Dizem que foi mais ou menos assim...
Só não posso aceitar o que não foi meu.
Não foi nada além de uma grande fogueira queimando o egocentrismo latente.
[e toma seu dente]
Não faço porcaria, mas não consigo dizer não. E agora?
A arte estava brava comigo. Como pude?
Será que não li o bastante pra aprender que isso não se faz?
[Ah, pobre rapaz...]
Dei corda para que o ego se enforcasse...
E pelo visto se enforcou.
[Quase que me arremesso junto... Mas como gato caí de pé noutro dia...]
O mais importante é que todos sabem quando sou eu, e quando não sou.
E aí, eu acordei...
[que louco, né?]
domingo, 13 de maio de 2012
DE VEZ EM SEMPRE
"Quando bate no vidro,
às vezes reflete,
às vezes atravessa,
às vezes arco-íris,
às vezes distorce,
às vezes é flecha
que no peito mata,
[que no peito mata]
às vezes ignora,
êta vida ingrata,
às vezes é pó
do ópio da terra,
às vezes capítulo
que o fim encerra,
às vezes é serra
[às vezes é serra]
pedra de ladeira,
às vezes é água
canto de lavadeira,
[canto de lavadeira]
às vezes é chuva
que não caiu,
às vezes bandeira
amarelo ouro
anil,
às vezes é gente
que não respondeu,
mas sempre pode ser
mais você do que eu.
às vezes é gente
que não respondeu,
mas sempre pode ser
mais você do que eu."
Se não tem mais jeito
Me diga
O que se pode fazer
Me liga
De quando em quando
De nunca em sempre
Às vezes
De vez em sempre
De vez em sempre
segunda-feira, 30 de abril de 2012
LIMPE BEM OS PÉS ANTES DE ENTRAR
Depois daquela faxina na vida,
Eu me sentei e me senti
Irremediavelmente idiota.
Indo na rota do vazio
Que vai atrás do cio
da casa limpa, cheirando.
Logo agora que tudo está no lugar
Afogo a hora em que o sujo foi jogar
O lixo fora e se jogou junto.
Afogo. Afogo sim.
Afogo tudo que não me servia
Num mar de pelos e pós,
Que me entopem o nariz
Que me fazem tossir
As tosses de todos os cigarros que eu
Ainda não fumei.
Não consigo me sentir heroi.
Nem seria pra tanto, afinal,
Quem nunca se colocou contra a preguiça
E se doou em prol da limpeza
De corpo, de alma, de espirito,
De visitas, de moradores,
De ética, de moral, de egoísmo,
De -ísmos, de -ísmos, de -ísmos.
Limpe bem os pés antes de entrar,
E deixe os sapatos do lado de fora.
Eu me sentei e me senti
Irremediavelmente idiota.
Indo na rota do vazio
Que vai atrás do cio
da casa limpa, cheirando.
Logo agora que tudo está no lugar
Afogo a hora em que o sujo foi jogar
O lixo fora e se jogou junto.
Afogo. Afogo sim.
Afogo tudo que não me servia
Num mar de pelos e pós,
Que me entopem o nariz
Que me fazem tossir
As tosses de todos os cigarros que eu
Ainda não fumei.
Não consigo me sentir heroi.
Nem seria pra tanto, afinal,
Quem nunca se colocou contra a preguiça
E se doou em prol da limpeza
De corpo, de alma, de espirito,
De visitas, de moradores,
De ética, de moral, de egoísmo,
De -ísmos, de -ísmos, de -ísmos.
Limpe bem os pés antes de entrar,
E deixe os sapatos do lado de fora.
terça-feira, 24 de abril de 2012
FOR EVER - TWO
Eles me disseram que agora eu tenho que ser um espírito evoluído.
Por este motivo, não vou mais desejar seu corpo.
Nunca mais!
Minhas imaginações todas envolvendo minhas mãos, as suas
Minha boca, a sua, mãos pés coxas mãos lábios mãos...
Tudo isso se converterá em profissionalismo. Serei um grande profissional.
Profissionalmente sufocarei meus impulsos ternários-binários
Com a maestria da profissão que escolhi - este ser ator que tanto nos atormenta.
E repetirei novamente a palavra profissão para que seu radical sature os ouvidos
Porque quero que todos saibam que meu trabalho é ingrato às vezes.
Para os outros sempre nossa mais escolhida máscara.
Para entre nós, não estamos.
Sabe que eu sempre fui feliz e fingi esse tempo todo uma dor, só pra você não sentir dor sem companhia?
Mas os ventos mudaram e hoje eu tenho uma dor também.
Uma dor que é você.
Tenho certeza de que outras pessoas irão ler isso e logo pensaram ser a origem de minha dor;
Contudo, para manter minha bestialidade dramatúrgica, escrevo para quem não me lê, jamais!
Já escrevo sem qualquer possíbilidade de métrica ou rima.
Para o diabo com elas!
(Eu sei que você não acredita nele... Mande então para onde você quiser)
Por você estou fazendo mandinga de amor.
E assumo: não me arrependo ainda.
Pego o ar que você respirou, misturo ao meu, prendo em uma caixinha com fita vermelha
até nossos oxigênios virarem outro elemento.
Nossos gases carbônicos não se acabam;
Então clamo por um milagre chamado você na minha cama.
E não peço pra você ficar nela pra sempre.
Só agora já está de bom tamanho.
E agora. E agora. E agora. E agora.............
FOR EVER - ONE
Tão logo você perceba
que me tornei um posso de desassossegos
você virá ao meu encontro
com um balde e uma corda longa.
Atirará a corda em meu poço e com o balde
puxará e beberá do meu desassossego
sem Pessoa em pessoa.
Mas tenho consciência de que fugirás
do meu olhar quando ele
te perseguir indiscretamente.
Neste momento, não me darás um olhar de soslaio,
um sorrisinho cúmplice, completo,
sem dizer nada de voz.
Não inclinarás a cabeça pra trás
e com um sorrisinho outro
percorrerás meu corpo
com suas mãos agitadas e suspiro
de quem quer dizer e não diz.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
CANCERIANO OBSEQUIOSO
Que diacho!
Detesto me deitar com você
Quando vejo que, no céu, a lua cheia
É só
Brilho de mais nem caber o quê!
Porque você me consome já!
Sumiço
Em cama só de um, tem só um.
Na brincadeira há de passar mal
Assim
Inventando amores mais um;
Ainda pensando que outro que é seu
Não sabe
O tanto que seu é desde este agora
Até pra sempre canceriano
De amor.
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