Estatelada, parada, totalmente imóvel estava a rocha.
Via e vivia a realidade das Minas.
Um tanto quanto esburacada pelas escavações que muitos já haviam feito no passado,
Não esperava tamanha surpresa.
Percebeu-se tremendo.
Lembrou-se do chafariz seco que ficava em seu topo.
Nem água mais vertia há bastante tempo.
Por que essa atividade toda agora?
As placas tectônicas do seu corpo movimentaram-se novamente.
E a rocha olhou para o vazio...
Um olhar é capaz de paralisar o mundo.
E o mundo parou. Era ansiedade de novo.
Sentimentos medidos pela Escala Richter
Já beiravam o nove ponto cinco.
Uma grande força destruidora a fazia tremer.
Quem foi que acordou a rocha adormecida?
Foi o tempo.
O impulso das coisas da vida
A poesia que dá vida até à rocha
que é só mais uma pedra,
a fez tremer contra sua vontade.
Não havia mais o que fazer a não ser tremer diante de inexplicável beleza natural.
É natural das rochas buscar um terremoto.
Desde que descobriram que as placas tectônicas não ficam paradas,
exigem o movimento ainda que destruam o planeta,
percebeu-se que a impulsiva rocha é a mais ansiosa e movimentada das forças naturais.
Se a água se mexe facilmente a todo momento,
A rocha clama por mais terremotos,
Mesmo feliz onde está não consegue ficar parada,
Quer se movimentar a todo custo, se lhe der vontade.
A rocha aprendeu com o terremoto:
Ela pode ser poeira e voar ao vento.
Treme a cada sopro, vai ao olho e cega
o que é externo para enxergarem somente a pureza do que há por dentro.
Os terremotos são violentíssimos para os humanos,
mas quem sabe não seja uma delicadeza a mais para a rocha?
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