terça-feira, 26 de agosto de 2014

Este é só mais um poema de há dor

Do nada, por graça, o coração dispara.
Um coração que só queria atenção
E agora percebe que essa coisa é rara
E não faz parte da sua inclinação.

Entrementes, não consegue declinar
O convite à tentativa de amor
O corpo fremido já não pode arregimentar
As palavras de um poema de há dor

Pululante e audaz com o tirso em punho
O nobre cardíaco membro de novo se levanta
A travar batalha de romântico cunho
Donde até a incansável Vênus se espanta

Com notada teima e pesporrência
Tentam-lhe fazer ao que é indelével olvidar
E contra tudo que o ensinou a prudência
Queda-se inglório no pedido de amar

Terá fim o sufrágio deste pobre
- Que de tanto amor descobriu carícias -
Que derrete com as paixões até o cobre,
Ou será apenas vítima de malícias?

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