De tanto morar em cada palavra que não lhe digo, bobinho sou e fico.
Uma desordeira sem-condição de falar, gritar, confessar que, vai ver, é verdade e estou amando mesmo.
Sim. Deve ser verdade mesmo porque até Guimarães Rosa já citei. "Amor assim cresce primeiro. Brota é depois." E mais um "Grande Sertão Veredas" inteiro só para procurar coisas de amor para dizer. Sou bobinho.
Mesmo depois de tanto esforço para não amar, para sobrepujar a costumeira vocação para ser outro antes de mim...
Será possível que eu tenha falhado e, negando o inegável, caí de novo no turbilhão de quereres, prazeres, fazeres?
Bobinho, milhões de beijos ainda não dados...
Bobinho, milhões de sonhos ainda não sonhados... Esses não!
Prefiro que permaneçamos acordados conforme seu talento para irromper alvoradas.
Vamos vivendo o dia, depois a tarde, nas caladas.
E eu, tão dono do poente, floreio palavras mal rimadas para tentar dar vazão ao sentimento novo-velho conhecido.
Ah, bobinho!
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